A Marcha das Centrais Sindicais e a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora levou milhares de trabalhadores a Brasília, na última quarta-feira (15/4). Convocada de forma unitária pelas centrais, a mobilização apresentou uma pauta comum ao governo federal, defendendo o fim da escala 6×1, com redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial, redução dos juros e geração de empregos decentes, com desenvolvimento produtivo e valorização do salário.
Durante o ato, o presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Adilson Araujo, manifestou a importância da unidade das centrais para as conquistas dos trabalhadores e para o avanço de mais direitos, solidariedade internacional às vítimas das barbáries de Trump, e ressaltando o enfrentamento à política de ajuste fiscal como medida essencial para a valorização do trabalho, dos salários e o aumento do consumo das famílias.
A classe trabalhadora organizada fez a opção de apresentar uma pauta para dialogar com o presidente Lula.
“(...) Nós temos uma coisa fundamental: reduzir a jornada de trabalho é reduzir a exploração do trabalho. É permitir que a gente possa conviver mais e melhor com a nossa família. É ter mais tempo para os estudos, para a qualificação. Enfim, é colocar o Brasil também na rota de países que já admitem até a possibilidade de uma jornada de quatro dias.
“(...) O “Deus mercado”, que não sabe o custo do arroz e do feijão no supermercado, fica diuturnamente insultando o governo, pressionando o governo para mais ajuste fiscal. O ajuste fiscal tem como consequência cortar dinheiro da educação, da saúde, da moradia. (...) E na conversa com Lula, nós vamos tratar de tudo isso.
Mas tem uma coisa que inquieta: quando as pesquisas [pesquisas eleitorais] batem e trazem quase um certo empate [empate de Lula com Flávio Bolsonaro], é porque nós não resolvemos o problema do consumo das famílias – e R$ 3.500 não resolve o problema de ninguém. 95% por cento dos trabalhadores estão ganhando R$ 3.500. Nós precisamos melhorar o rendimento e nós precisamos melhorar a condição de vida do trabalhador. E, se a gente quer fazer isso, o Brasil não pode se dar ao luxo de praticar uma taxa de juros de 15%, que é a maior taxa de juros do planeta.
Portanto, nós temos que somar com Lula, somar com parte do empresariado que é contra essa espoliação e dizer: basta. Queremos um Brasil mais humano, menos desigual.




