A Corregedoria Nacional de Justiça determinou, nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, o afastamento imediato do desembargador Dirceu dos Santos, integrante da 3ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
A decisão foi tomada após o aprofundamento de investigações em curso no CNJ, que identificaram indícios de que o magistrado teria proferido decisões judiciais mediante o possível recebimento de vantagens indevidas. Segundo as apurações preliminares, haveria intermediação de atos decisórios por meio de terceiros, incluindo empresários e advogados.
Com a quebra dos sigilos bancário e fiscal, a Corregedoria constatou movimentação patrimonial considerada incompatível com os rendimentos declarados pelo magistrado. Nos últimos cinco anos, teriam sido movimentados R$ 14,6 milhões em bens.
A análise das declarações de imposto de renda apontou variação patrimonial a descoberto, especialmente nos anos de 2021, 2022 e 2023, período que coincide com os fatos investigados. Apenas em 2023, a diferença entre o incremento patrimonial e os rendimentos considerados lícitos teria alcançado R$ 1,9 milhão.
Diligências da PF e medida cautelar
Por determinação do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, foi decidido não apenas o afastamento cautelar do desembargador, mas também o cumprimento de diligências na sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
As medidas contam com o auxílio da Polícia Federal para extração de arquivos digitais e espelhamento de aparelhos eletrônicos utilizados pelo magistrado e por seu gabinete. Outras diligências também serão realizadas para aprofundar as investigações, que seguem em andamento.




