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Política Sexta-feira, 17 de Outubro de 2025, 09:35 - A | A

Sexta-feira, 17 de Outubro de 2025, 09h:35 - A | A

Parlamentares embolsam até um terço do valor emendas e obras existem só no papel

Quarenta mil emendas estão no radar do STF e investigações da PF causam pânico no Congresso. Há suspeita de lavagem de dinheiro de recursos das emendas e conexão com crime organizado

Da Redação

Foto: WILTON JUNIOR/Estadão

Flávio Dino marca nova audiência pública sobre emendas para verificar se regras do jogo estão sendo cumpridas

Flávio Dino marca nova audiência pública sobre emendas para verificar se regras do jogo estão sendo cumpridas

Investigações da Polícia Federal (PF) indicam que o desvio de emendas parlamentares começou a se entrelaçar com o crime organizado para lavagem de dinheiro. Foi assim no Maranhão, onde no ano passado um agiota que fazia negócio com emendas acabou assassinado, e tem sido assim em vários rincões do País.

No próximo dia 23/10, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino promoverá mais uma audiência pública para verificar como anda o monitoramento sobre o destino das emendas, após ter tomado uma série de decisões para enquadrar deputados e senadores, até mesmo com bloqueio de recursos.

O Tribunal de Contas da União (TCU) informou já ter capacidade para rastrear 70% das transferências Pix no exercício financeiro de 2025. São aqueles repasses que geralmente caem num caixa único de prefeituras e, com isso, conseguem escapar da fiscalização. Na prática, trata-se de um ralo por onde some o dinheiro público.

O problema é que o nó da prestação de contas de 2020 a 2024 ainda não foi desatado. São 40 mil emendas desse período, despachadas por parlamentares a seus redutos eleitorais – de forma direta ou por meio de colegas – que precisam ser vasculhadas com lupa.

Um ministro do STF explicou que parte significativa das emendas é “religiosa” porque o parlamentar fica com um terço. E as obras mesmo só existem no papel.

Não foi à toa que a Câmara tentou emplacar a PEC da Blindagem, apelidada de PEC da Bandidagem, enterrada no Senado por causa da reação popular. A PEC que protegia parlamentares e até presidentes de partidos de investigações criminais nasceu do pânico no Congresso.

Ali, não são poucos os homens engravatados que temem diligências da Polícia Federal sobre compra e venda de emendas, muitas vezes com lavagem de dinheiro de atividades ilícitas por meio de fintechs. Tudo isso atinge o coração da política.

Por: Vera Rosa, repórter especial do ‘Estadão’

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