Segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada e divulgada nesta terça-feira (3/02), o Banco Central só deverá dar início a um ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião em março.
Desta vez, a desculpa esfarrapada para manter os juros abusivos é que o emprego continua resiliente, noutras palavras que o mercado de trabalho está aquecido, com níveis de contratação e ocupação robustos, apesar da política monetária contracionista de juros abusivos, sob a falsa alegação da necessidade de controlar a inflação.
Isso posto, o Banco Central advoga a manutenção de juros continuarão altos, asfixiando a economia, a produção e o emprego, que segundo o Banco continua “resiliente”.
Ao decidir por manter a Selic em 15% ao ano, o BC está apenas sustentando a política monetária em favor dos magnatas do capital financeiro, e aumentando a dose do arrocho para derrubar ainda mais o crescimento econômico e gerar desemprego no país.
No documento, o Copom alega que “a taxa de desemprego tem se mantido em patamares historicamente baixos”, desconsiderando o alto nível de precarização do mercado de trabalho brasileiro, com milhões de brasileiros vivendo dos tradicionais “bicos”, tendo que enfrentar jornadas exaustivas e baixas remunerações pagas por aplicativos. Ao todo, no Brasil são 39 milhões de trabalhadores sem carteira de trabalho ou qualquer direito trabalhista, segundo a última pesquisa do IBGE.
O Copom também afirma que “os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”. Em 2025, a renda média dos trabalhadores, que considera todos os trabalhos, subiu para R$ 3.574 mês, dado de novembro, valor recorde, segundo consta na “Mensagem Presidencial 2026” entregue ontem ao Congresso Nacional.
Enquanto isso, no Brasil, um magnata dono de uma fortuna de R$ 1 bilhão, sem produzir nada, ganha R$ 400 mil ao dia, com o atual nível da Selic em 15%, segundo cálculos do economista e professor da PUC/SP, Ladislau Dowbor.
Nos jornais, tabloides, portais, etc., ventilam-se várias teses que tentam explicar a decisão do BC de manter os juros em 15% até março, apesar da trajetória consistente de queda da inflação. A intenção dos porta-vozes do mercado financeiro é tirar dos holofotes a resposta mais simples: os banqueiros querem manter os ganhos bilionários providos pela Selic.
Em 2025, ao todo, o setor público, União, Estados, municípios e estatais, gastou R$ 1.007,6 trilhão com os juros da dívida pública. Em 2024, foram R$ 950,4 bilhões. Isso é dinheiro arrecadado de todos os contribuintes, mas que, ao invés de virar investimento público, em saúde, educação, segurança e obras de infraestrutura, acaba, por meio dos juros, transferido para as contas de banqueiros, rentistas e outros especuladores da dívida.
Apesar destes escandalosos números, o mercado financeiro, o mesmo que tem aparecido nas páginas policiais, vide o caso Master, defende que o governo corte aposentadorias, benefícios sociais, créditos direcionados, etc., em prol de uma suposta credibilidade fiscal, quando, na verdade, é a própria prática dos juros altos do BC que alimenta o crescimento da dívida pública.



