Foto: Ricardo Stuckert / PR

Cada vez mais integrado à cadeia de comercio global, Brasil empreenderá ação para enfrentar pressão de Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou sobre o tarifaço em nota e disse que o Brasil é um país soberano e democrático, que respeita os direitos humanos e a independência entre os Poderes.
"O governo brasileiro considera injustificável o uso de argumentos políticos para validar as medidas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano contra as exportações brasileiras. Segundo Lula, o Brasil segue disposto a negociar aspectos comerciais da relação com os EUA, mas não abrirá mão dos instrumentos de defesa previstos.
"Nossa economia está cada vez mais integrada aos principais mercados e parceiros internacionais. Já iniciamos a avaliação dos impactos das medidas e a elaboração das ações para apoiar e proteger os trabalhadores, as empresas e as famílias brasileiras", afirmou Lula em nota.
Com a medida, produtos importados pelos EUA do Brasil serão sobretaxados em 50% daqui uma semana. Ou seja, além das tarifas de importação já cobradas, haverá cobrança de 50%.
A BMJ Consultoria, especializada em comércio exterior, tem uma estimativa parecida, de que a lista de exceções ao tarifaço de Donald Trump abarca cerca de 40% das exportações brasileiras aos EUA. A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) calcula um número similar: para a instituição, a lista de exceções abrange 43,4% do total exportado pelo Brasil.
O impacto total das tarifas de Trump sobre o Brasil vai além do anúncio desta quarta, uma vez que produtos importantes da pauta exportadora, como o aço, já são alvo de sobretaxas setoriais, no caso de 50%. No ano passado, por exemplo, o Brasil vendeu US$ 3,5 bilhões aos EUA em produtos semi-acabados de ferro ou aço.
"Apesar de setores muito importantes terem sido excluídos da medida, temos que lembrar que vários setores menores do Brasil, como é o caso de mangas, [outras] frutas e sal, acabaram sendo afetados. E isso, infelizmente, impacta muitas empresas pequenas do Brasil", afirma Welber Barral, conselheiro e sócio-fundador da BMJ.
O agronegócio brasileiro está entre os setores mais impactos pelo tarifaço americano. Representantes das indústrias da carne, café e pescados veem exportação inviabilizada para os EUA. A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) chegou a estimar que a venda de carnes bovinas aos EUA deve ter uma queda estimada de 47%, enquanto o café pode ter uma redução de 25%.




